O Verão Massayó vai além de um grande evento popular e cultural. Para o prefeito JHC, o festival representa uma vitrine estratégica para apresentar ao público a força e a organização do seu grupo político. Até aqui, porém, a oportunidade vem sendo desperdiçada.
A presença de Arthur Lira contrastou com a ausência de nomes como Antônio Albuquerque e Celso Luiz. Marina Cândia apareceu. Já outros prefeitos aliados sequer se mostraram. As ausências chamam atenção e reforçam uma fragilidade que vai além do palco: a dificuldade de JHC em exibir um grupo político coeso e claramente alinhado ao seu projeto.
O evento também expõe os dilemas de um gestor com alta popularidade, que surge como possível nome para a disputa pelo Governo do Estado, mas que enfrenta o risco de errar no tempo e nas escolhas. Mais do que isso, evidencia a falta de um grupo político consolidado, capaz de sustentar uma caminhada eleitoral mais ampla.
Caso opte por permanecer na Prefeitura, o apoio entusiasmado das multidões tende a ser volátil. A política alagoana já mostrou que o “mito” de hoje pode ser substituído rapidamente pelo próximo nome em ascensão. Cícero Almeida é um exemplo simbólico: já foi ovacionado e hoje é pouco lembrado por lideranças que antes o exaltavam.
Diante de milhares de pessoas na plateia e da visibilidade gerada pelas redes sociais dos artistas, JHC interage, dança, brinca e se aproxima do público. Até agora, porém, falta o gesto clássico da política: articular alianças, reunir aliados e demonstrar força para além do carisma pessoal.
O Verão Massayó segue em curso. A vitrine política também — mas o tempo para aproveitá-la não é infinito.

